O racismo nosso de cada dia

O neurocientista Carl Hart, professor titular do departamento de Psicologia e Psiquiatria da Universidade de Columbia, foi supostamente barrado na entrada do hotel Tivoli Mofarrej, onde faria palestra, no Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. Posteriormente, em sua fala no evento, ele pediu que os ouvintes olhassem às suas voltas e percebessem se haviam negros na plateia. Não havia nenhum, e ele disse que este seria um motivo de vergonha para os presentes.

Numa entrevista, ainda no dia de hoje, Hart esclareceu o fato e disse que o episódio não o afligia, e nem de longe afeta sua vida e carreira. O que o preocupa é o fato de um país, com uma população de 50% de afrodescendentes seja tão pouco representada na política, nas universidades, nas classes médias. Isto é uma ínfima amostra do que a população sofre, diariamente.

A divulgação do episódio  e da sua fala no evento demonstrou, além do racismo escancarado no país, a falta de representatividade do negro e seu isolamento na sociedade. Não sabemos discutir de maneira madura este racismo, ora velado, ora escancarado. A maioria da população, de modo rasteiro, se manifesta contra as cotas, não reconhecendo a dívida histórica para conosco, já que me incluo nesta estatística.

O lugar do negro na sociedade brasileira é na favela, nas cozinhas e áreas de serviço da classe média, nas propagandas hiperssexualizadas que maculam o corpo da mulher negra, na maioria da população carcerária brasileira, nas altas estatísticas de  homicídios de jovens negros.

Este negro, que quando ascende às universidades, reclama pelos seus direitos, luta pela preservação de sua cultura e requer representatividade, incomoda àqueles que os tratam como “se fossem da família”.

Uma boa notícia que tivemos esta semana, que me conforta, é que o Conselho Federal da OAB criou a Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, no âmbito da entidade, para investigar os fatos relativos à escravidão de africanos e seus descendentes, com a intenção fazer um resgate histórico e da contribuição da população negra para o desenvolvimento do país. Além do resgate histórico, será possível discutir a reparação e avaliar as condições de desigualdade nos campos político, econômico, de mercado de trabalho, das questões quilombolas e das religiões de matriz africana. Creio que este trabalho será de grande valia, pois os graves danos causados à população negra do país serão de fato mensurados, e possibilitarão a construção de políticas e demais iniciativas para reparar este agravo.

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João Pessoa

João Pessoa, a capital paraibana, hoje completa 430 anos. Tive o imenso prazer em visitá-la, no ano passado, ao participar de um evento acadêmico de Direito, na Universidade Federal da Paraíba.

Numa das menores capitais do país, localiza-se o ponto mais oriental das Américas, no Farol de Cabo Branco. Em suas belas praias, sendo as principais Tambaú, Manaíra e Cabo Branco, o sol nasce primeiro. Às cinco da manhã, o sol já está alto!

Fiquei hospedada no Hotel Casa Branca, na praia de Tambaú. Hotel simples, mas com acomodações ótimas, à uma quadra da praia, conta com uma equipe muito solícita e com a simpatia típica paraibana, café da manhã delicioso, com variedade de frutas  e pratos locais.

Como fui apresentar trabalho acadêmico, tive de me deslocar até o campus da UFPB, e o local oferecia translado, a um custo adicional.

A praia de Tambaú é a mais movimentada, com muitos estabelecimentos comerciais, quiosques, bares e restaurantes, porém existe uma lei municipal de silêncio após às 22 horas. Nesta praia, encontram-se facilmente rapazes oferecendo os passeios para as piscinas naturais de Picãozinho e o famoso pôr do sol, no Jacaré. O centro histórico é muito rico, com imponentes construções históricas do séc. XVI, e conta com guias turísticos da Prefeitura de João Pessoa.

A visita às piscinas naturais de Picãozinho é um programa imperdível. Várias embarcações partem das areias de Tambaú, a uma distância média de 1,5 km da orla, para um local preservado, de águas cristalinas, com peixes coloridos. O passeio é perfeito para que viaja com crianças. As embarcações contam com sanitários, snorkels, bar e serviço de fotografia subaquática.

A orla é muito bem preservada, com vegetação local, vias bem sinalizadas, ciclovia e calçada ampla para pedestres. Vale a pena conferir o Mercado de Artesanato, que fica próximo ao famoso Hotel Tropical Tambaú.

Outra atração imperdível é o famoso restaurante Mangai, instalado no bairro tradicional Manaíra, que se destaca pelo aconchego oferecido aos clientes, com um ambiente agradabilíssimo, staff lindamente caracterizado com trajes folclóricos, seus deliciosos pratos típicos e sucos de frutas locais.

Amei visitar esta bela cidade, e desejo um dia voltar!