Semana Internacional da Mulher

Por aquelas que sofrem agressões físicas, morais, sexuais e psicológicas, e são culpabilizadas por algo de quais são as vítimas.
Por aquelas que são assediadas desde a tenra infância, e desde cedo julgadas pelo que vestem e por onde andam.
Por aquelas que têm dupla ou tripla jornada, pois a cultura determina seu papel bem demarcado, sobre o qual se joga a culpa se algo der errado, como na educação dos filhos.
Por aquelas que têm sua educação, formação e sonho profissional negligenciados, sob a desculpa de que mulher deve ficar em casa, cuidando da família.
Por aquelas que engravidam, de modo planejado, acidentalmente ou inesperadamente, têm seus filhos sob a ode “pró-vida”, mas se encarregam sozinhas da criação, educação, alimentação e outras preocupações que dinheiro nenhum no mundo cobre, cujos machos reprodutores ignoram, abandonando covardemente seus filhos. Por aquelas que, sem estrutura alguma, decidem por interromper a gestação, por seu destino fadado à miséria, e é sangrada viva, vindo a óbito na clandestinidade, enquanto outras mais afortunadas, cristãs e bem educadas resolvem “o problema” em clínicas assépticas e com antibioticoterapia adequada.
Por aquelas que são preteridas nas organizações, por mais competentes e qualificadas que sejam, recebem remuneração inferior ao que o homem na mesma função, pois podem engravidar, ter TPM, serem “emotivas demais”.
Por aquelas que amam outras mulheres, que são discriminadas, humilhadas e fetichizadas. Por aquelas, cujo corpo biológico não corresponde à identidade de gênero, sendo-lhes negados direitos, personalidade, humanidade, saúde, educação, profissionalização ou até mesmo a vida, que muitas vezes não têm outra saída senão a prostituição.
Por aquelas que estão encarceradas, cumprindo a pena imposta pelo Estado, que sequer recebem visitas dos companheiros e familiares, se gestantes, têm de parir algemadas e se separar de seus filhos muito precocemente.
Por aquelas que no momento mais importante da maternidade, o parto, têm sua intimidade, vontade e dignidade violados por profissionais que deveriam zelar por este momento tão especial na vida de uma mãe.
Por aquelas que, na academia, são subestimadas e diminuídas por seus pares masculinos, apesar das grandes mulheres que contribuíram e contribuem hoje para a ciência.
Por aquelas que, dentro dos movimentos sociais, são silenciadas pelos próprios “companheiros de luta”.
Ser mulher não é resignação, perseverança, submissão, subserviência, delicadeza, suavidade, maquiagem e salto alto.
Ser mulher é se reconhecer como tal, ter seus direitos garantidos, suas escolhas chanceladas, sua potencialidade estimulada e seu valor reconhecido.
É para estas que dedico este dia, que não é celebração. Este dia é um lembrete de que eu não serei livre enquanto outra mulher estiver cativa, ainda que nossas algemas sejam diferentes.

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